Bom… Depois de 2 dias com 34 anos

resolvi fazer um tread sobre uma coisa que faz parte de pelo menos 18 anos deles… Pode parecer bizarro, mas RPG (e principalmente Tormenta) fez boa parte da minha vida e a grande diferença que ela faz na minha vida é gigantesca.

Tormenta tá completando 20 anos e esse foi o primeiro cenário de RPG que tive contato, AD&D foi o primeiro sistema que conheci e como aquela coisa me cafundia a cabeça.

Lembro de ótimas tardes durante a semana depois da escola jogando com mais 3 Brothers. E o mais legal de tudo é que depois desse tempo todo a gente ainda se fala, e ainda dei uma ajuda no TCC de um deles. Meu nome até aparece na parte de agradecimentos.

Só que o mais legal disso tudo, é que quando eu tive a minha crise de depressão, foi pro RPG que recorri. Foi para mesas e para as pessoas que jogam que eu procurei uma válvula de escape. E o melhor de tudo, eu achei. Faz pelo menos uns 2 anos que não preciso de medicação. Pode parecer estranho, mas isso faz uma enorme diferença tanto no meu dia quanto no meu físico.

E a parte boa disso tudo, é que a galera do colégio com que eu jogava vai volta a jogar em breve.

Douglas Dias – via Twitter

Bem, minha história começa nos meados de 2016

tinha acabado de fazer o Enem e não consegui entrar para a faculdade de primeira e fiquei bem triste durante um bom tempo, mas decidi começar a jogar RPG por algum motivo e acabei conhecendo uma pessoa que conhecia outra e ele estava na sessão zero de uma mesa em Arton. De início eu achei que seria algo idiota, afinal “Todo mundo fala que Tormenta é ruim”. Bem, eu estava redondamente enganado. Em menos de uma sessão eu já estava apaixonado pelo cenário, lendo tudo o que podia, pesquisando as histórias, comprando a trilogia e, talvez a maior mudança, Tormenta me inspirou a voltar a escrever. Era apenas resumo das mesas, que se tornou contos e agora um dos principais plots que uso. Tormenta me mudou de dentro pra fora e uniu um grupo que espero nunca se separar. Um cenário incrível que foi base para cenas que lembro até hoje, personagens que não pretendo me soltar e um amor infinito por RPG. Obrigado a todos que compõem essa maravilha!

Lucas santos – via Facebook

Meu primeiro contato com Arton se deu antes mesmo do RPG

Eu devia estar na 6º série na época. Lia quadrinhos em geral no Sesc daqui do Rio de Janeiro, Marvel, DC, Image… e as vezes comprava quadrinhos do Homem Aranha e X-men. Um dia fui com meu amigo de classe até a banca, sabendo que ele compraria a edição mais recente do Aranha. Só que ele não comprou, invés disso, gastou seu dinheiro com uma revista em quadrinhos estranha, de poucas páginas, só algumas coloridas e ao estilo dos mangás. Reclamei muito da escolha dele por comprar Holy Avenger.

Só que depois de ler aquela edição do quadrinho, fiquei encantado pela qualidade do material. Era algo diferente do que eu estava acostumado, e após algum tempo, corri atrás das edições anteriores, acompanhando fielmente a revista até sua conclusão. Na sessão de cartas e matérias, faziam menção constante a regras de RPG e ao cenário no qual aquela saga se inspirava. Mas eu não conhecia ninguém que jogasse isso, nem sabia onde conseguir livros (fora a pouca grana pra investir). Então cacei o que havia sobre RPG na própria biblioteca do Sesc. Junto de outro amigo, lemos AD&D (antes dos livros serem roubados de lá), lemos Tagmar (que teve o mesmo triste destino nas mãos de ladinos Rpgistas). Com aquilo que anotamos e aprendemos, bolamos um sistema caseiro que jogamos sozinhos por anos.

Só muito depois descobri a Dragão Brasil nas bancas, já nas últimas edições antes de mudar pra Dragon Slayer. Comprei o Livro I do Primeira Aventura e li o que saia na revista sobre Moreania. Nesse meio tempo o Orkut me ajudou a encontrar outros jogadores na minha cidade e até no bairro, mas nenhum deles narrava em Tormenta, no máximo alguns já haviam jogado 3D&T no cenário.

Foram mais anos jogando outras coisas, até eu decidir que eu mesmo teria que ser o mestre de Tormenta que nunca tive. Comprei o livro básico da primeira edição, e com ele narrei uma série de aventuras do Guerras Taúricas e outras que culminaram no Contra Arsenal. Depois daquilo, foi mais um longo tempo sem tocar nos livros.

Nos últimos anos, redescobrimos Tormenta! Com um grupo mais receptivo ao sistema, comecei uma série de aventuras que se transformaram numa grande saga em busca dos rubis da virtude pra impedir o surgimento de uma nova Área de Tormenta. Passando por adaptação de políticos reais em Malpetrim na época das eleições, missão pra matar dragão branco nas Uivantes, e atualmente, interação com nobres inspirados nos personagens de The Big Bang Theory. 
Tenho um grupo fiel que se diverte e nem pensa em pausar a campanha, que já se comprometeu com o financiamento do livro e vai devorar os arquivos de play teste quando saírem.

Arton e Tormenta fazem parte da minha vida há anos, em diferentes momentos, mas com importância crescente. Fico orgulhoso de ver esse cenário e sistema crescendo, de ler A Joia da Alma, A flecha de Fogo, de saber que finalmente o RPG nacional terá um livrão com qualidade padrão internacional, mas com nossa própria cara.

Deixo aqui meu relato, meus agradecimentos a todos os envolvidos na equipe Tormenta, a contribuição do meu grupo e meu desejo sincero de que Nimb role ainda muitos “sucessos decisivos” para esse financiamento épico!

Termino com aquele velho ditado artoniano: “O financiamento coletivo é de Kalmyr, mas quem move os tibares é Nimb”.

Ricardo Batista – via Facebook

Lembro a primeira vez que ouvi falar sobre RPG

eu já conhecia RPG digital pq jogava com alguns amigos que tinham um PS1, eu na época tinha só um Mega-Drive, com Sonic e alguns jogos de luta ou corrida, até então só conhecia alguns poucos títulos dessa forma, mas na Bienal do livro de 2002 ou 2003, não lembro ao certo, tinha ido por uma excursão da escola, no dia ganhamos um vale livro, (o livro saia de graça, desde que custasse menos de 5 reais, peguei o livro a Coragem de Mudar, falava sobre alcoolismo na adolescência, acho que já previa os anos futuros em festas, eventos de motoclubes e bares de rock por aí kk [e de uma professora de história ganhei um mangá do Samurai X, o volume 5 se não me engano]).

E em um dos vários estandes, eu vi um livro diferente, era capa dura, (algo muito raro aquela época) e cheio de ilustrações incríveis, a capa era muito bem desenhada com umas letras em estilo medieval, um efeito de couro e metal, me apaixonei por aquele livro, mas estava MUITO além do que eu tinha levado pra gastar, estava acho que com uns 40 reais, o livro eu mal lembro o preço, mas estava totalmente fora de cogitação. 
Era a terceira edição de Dungeons and Dragons e o coitado do vendedor fez uma baita propaganda pra me convencer a comprar e eu com vergonha de dizer que não tinha dinheiro pra isso, especialmente porque eu queria continuar folheando o livro, se o vendedor não tivesse ficado por perto, acho que eu sentava no chão e começava a ler lá mesmo kkk Ele tentou me explicar como funcionava, que era um livro pra jogar, falando sobre a criação de personagens e tudo mais, mas eu mal prestei atenção, só queria ler o livro em paz kkk

E acabou que mesmo interessado, não pude ver o livro direito e só entendi que era um livro com a descrição de vários itens, magias, lugares e raças diferentes, o que pra mim, seria um guia perfeito pra escrever qualquer história. (Não cheguei a entender totalmente errado, só deixei de lado toda a parte de curtir o livro com outras pessoas kkk [misantropia gritava alto kk]) E claro, tinham todas aquelas ilustrações incríveis. (No final, em outro estande achei um livro de terror que vinha com Drácula, Frankenstein e O Médico e o Monstro, foi o primeiro livro que eu comprei, até tinha aquele cheirinho viciante de livro novo. Claro que continuei debulhando a biblioteca da escola e a Biblioteca da João Dias, vários livros emprestados, na época tinha pique pra sair de casa a pé até lá duas vezes por semana, uma pra pegar três livros e outra pra devolver kkk)

Vários anos depois, sempre notava nas bancas de jornal uma revista chamada Dragão Brasil, que falava sobre RPG de mesa, naquela época já entendia um pouco melhor sobre o que era, mas novamente, raramente tinha dinheiro pra comprar e quando tinha alguns trocados, acabava comprando revistas sobre animes ou sobre jogos de vídeo game.(Mangá era novidade, aqueles bem fininhos impressos em folha de jornal e CAROS kk)

Mais um salto no futuro depois, um amigo estava com uma revista Dragão Brasil sobre Pokémon e outra de capa preta com vários personagens em estilo mangá na capa e TORMENTA escrito em letras garrafais vermelhas, além de na capa ter o personagem Paladino, que eu já tinha visto em outros lugares, mas não associava onde (até hoje ainda não sei kk), mas lembro da sensação de novamente ter um livro que descrevia personagens, lugares e raças pra jogar ou escrever, (Ainda sonhava em escrever um livro nessa época, mas dividia isso com a vontade de aprender a desenhar mangá e estava indo até bem nessa segunda empreitada) mas diferente daquele livro de Dungeons and Dragons que tinha capa dura e tudo, o livreto de Tormenta era bem mais humilde, capa simples e BEM menos páginas, afinal era um cenário e não um sistema (Não que eu soubesse a diferença naquela época, na verdade só fui aprender a diferença entre as duas coisas ano passado kkk)

Mas foi aí o salto de aprendizado, aí passei a entender o que era RPG de verdade e queria experimentar, mas nunca achava ninguém que soubesse jogar também. (Depois descobri que só tinha perguntado pras pessoas erradas, pq muitos do meu convívio já tinham jogado RPG antes)

Nessa época conheci também Holy Avanger, eram brasileiros desenhando Mangá, em uma história de Fantasia Medieval com começo, meio e fim.

Meu, tinha alguém vivendo meu sonho aqui no Brasil e eu nem fazia ideia, era algo surreal pra mim isso, nessa mesma época também conheci Combo Rangers e percebi então que o mundo dos mangás nacionais ia muito além de Blue Fighter e Mozart Couto aqui no Brasil.

Pulando agora pra mais recentemente, no ano passado me juntei com um amigo e o pessoal dele pra uma jogatina de Magic e D&D (Que agora estava na Quinta Edição), finalmente joguei RPG de verdade e ai já era, a semente que antes era só observada foi plantada e eu queria saber mais, queria entender mais.

E como diz aquele velho e conhecido ditado, o melhor lugar pra começar é do começo, fui atrás da história de Gary Gigax, encontrei alguns livros e artigos na internet sobre o assunto e foi um pulo até estar com o Guia do Jogador de D&D em mãos e tentando montar um personagem por mim mesmo.

Nesse dia, nasceu Gaijin Fogo D’ouro, um Feiticeiro Anão, Artesão de guilda, com proficiência na forja e na fabricação de cerveja!

Depois de debulhar o Guia do Jogador tentando montar um personagem, só precisava achar pessoas pra jogar.

Confesso que falhei miseravelmente nessa tarefa, não por falta de jogadores ou mestres, porque nessa parte fui bem feliz em achar várias oportunidades, mas o ânimo pra sair de casa e ir jogar estava baixo, me animava muitas vezes, mas não durava muito.

Então, continuei lendo sobre o assunto e aí surgiram outras dúvidas, qual a diferença entre todos esses livros de RPG que existem por aí?
O que seria GURPS, 3D&T, Vampiro a Mascara, Mago a Ascensão?
Qual a diferença entre Cenário e Sistema?

Fui procurar e claro que a mãe Wikipédia, o pai Google e o professor Youtube, não me decepcionaram (diferente do que fizeram quando fui pesquisar pra monografia na faculdade. ¬¬)

Resumindo Sistema é o Como o RPG funciona e Cenário é Onde. Sistema é o conjunto de regras do jogo, e cenário é toda ambientação onde a história se passa. 
(Pra complementar ou complicar ainda mais, depende do ponto de vista, existem as Campanhas que são histórias prontas.)

E ai, é nesse ponto que eu queria chegar, (Sim, toda essa enrolação pra história começar só agora, ninguém mandou ler até aqui. kk) depois de ler sobre tudo isso e aprender mais sobre RPG de mesa, cheguei novamente em Tormenta, vários anos depois de ter achado aquela revista com um amigo, (A revista está comigo até hoje… desculpa amigo T.T) agora Tormenta não era mais um livreto, não era apenas um cenário e várias campanhas, Tormenta agora era um Sistema, com suas regras, suas classes, raças e mais importante, com uma história muito rica, tanto dentro do reino da ficção, quanto na vida real.

Mas, quanto mais procurava achar por onde começar em Tormenta, mais perdido eu ficava, eram 3 livros básicos, que só tinham de diferente a capa, não achei Manual do Mestre e nem Guia dos Monstros pra Tormenta, e agora? Quem podia me ajudar? 
Ninguém! Eu tinha que me virar kkk

Fui no site da Jambô Editora, que publicava Tormenta agora, no site fiquei mais perdido ainda, tinha o livro básico, só um pra minha sorte, ai entendi que os outros eram edições antigas e no site eles tinham a edição “corrigida”, mas novamente não achei livro do Mestre, mas achei um bestiário.

Passei um tempo procurando em outros lugares pra perceber que Tormenta funcionava diferente de Dungeons and Dragons e foi um tempo ainda maior pra saber quais livros eram recomendados comprar pra começar, porque eu não estava interessado em Tormenta só pra jogar, porque diferente do D&D, mas agora de modo positivo, Tormenta tem muita história acessível aqui pra gente.

E são boas histórias, achei livros de literatura escritos pela Karen Soarele e pelo Leonel Caldela, (Esse segundo em especifico é um baita tijolo, se jogar na cabeça de um, se não matar, deixar louco) 
Tem quadrinhos escritos pelo Marcelo Cassaro, e pelo Rogerio Saladino aquele quadrinho Holy Avenger que vi quando mais novo, agora tem um baita edição FODA, capa dura com uma qualidade gráfica única, que não se acha em quadrinhos nacionais, o que é uma infelicidade, pois isso só demonstra o carinho, cuidado e dedicação que a editora tem com a obra.

Fora Holy Avenger, tem a HQ Ledd, 20 Deuses e Khalifor, essa terceira estou curioso por que diz ser o volume 1, mas não vi nada sobre um volume 2. (E me assusta comprar algo que fique sem final.)
E o que mais me chamou atenção, Tormenta tem livros jogos, outra coisa nova que esse mundo do RPG trouxe pra mim, livros que a história muda de acordo com suas escolhas…. Eu pirei quando descobri isso.

Depois disso, estava decidido, deixei D&D de lado por enquanto e ia comprar pelo menos um livro de Tormenta, mas ainda não fazia ideia de por qual começar, o Módulo básico quando conseguisse um trabalho é certeza que eu pegaria, mas o que comprar pra matar minha sede por Tormenta?

A HQ de Holy Avenger em edição incrivelmente fodástica?
Seria ótimo, mas comprando só uma, eu leria no primeiro dia e depois a sarna da curiosidade me mataria e não dava pra eu comprar todos. (Pelo menos não por agora)

Algum dos livros Jogos? Mas qual?
São histórias independentes, você não precisa seguir uma ordem, então, tanto faz. 
Mas, tantos os livros jogos quanto os de literatura, seguem acontecimentos dentro do universo de Tormenta, eu queria seguir na ordem cronológica das coisas (Sim, eu sou chato pra caramba com isso kk)

Encurtando uma história longa, fiquei nesse compro, não compro, por alguns meses (A vida de desempregado me ensinou a pensar MUITO antes de gastar qualquer centavo kkk) 
E nesse tempo, veio a noticia de que Tormenta faz 20 anos em 2019 e a editora iria lançar um financiamento coletivo pra essa edição em especial.

E assim eles fizeram, fiquei contando os dias pro dia 10 de Maio, fui dormir dia 09, esperando o horário de abrir a campanha, pra variar tinha trocado o dia pela noite então acordei BEM tarde, e quando acordei a campanha já tinha passado dos 100% em menos de uma hora. 
O resto, vocês podem ver nessa postagem que estou compartilhando.

Mas esse texto todo é só pra dizer que entendo porque Tormenta tem mostrado toda essa força, não é só um livro de RPG, foi algo feito aos poucos, com cuidado, com dedicação dos editores e autores, foi uma história construída em 20 anos, tanto dentro dos livros, quanto fora, uma história que na vida real, se cruza com vários outros sistemas e cenários e Tormenta foi se espalhando pra outros formatos, até outras mídias, se levarmos em consideração aquela Radio Novela, que eu não me canso de rever kk (Guilherme Briggs bem que podia rolar um revival independente ein kk) Tormenta está caminhando pra mais um recorde no Catarse, a meta agora não é chegar, é passar dos 700 Mil. Está em 580 mil e ainda faltam 54 dias, vai acontecer. Ainda não decidi qual recompensa vou escolher, mas até o final, nem que seja com o minimo vou apoiar essa. (Espera conseguir com mais, pq pelo amor né, esse livro vai ficar FODA kk)

Ricardo Rodrigues – via Facebook

Eu nasci em Três Rios-RJ

mas morei a minha vida inteira em Paraíba do Sul-RJ, ambas no interior do estado. Não se espante se você nunca ouviu falar de nenhuma das duas, mas elas são tão pequenas que uma é conhecida pelos (adivinhou) três rios que se encontram num determinado lugar e outra é conhecida por ter uma estátua do Che Guevara que foi baleada no dia da inauguração dela e uma outra do Yasser Arafat, uma do Ayrton Senna e uma do Tim Lopes(!!!).

Sempre gostei muito de ler. Revistas de todos os tipos (sdds revista Manchete), mas quadrinhos e games sempre foram o meu favorito. Então, belo dia, resolvi comprar (não me lembro bem o motivo) uma Dragão Brasil: A que adaptava Coração de Dragão – tenho até hoje, inclusive – e dali o RPG foi amor puro. UFO Team no sistema Daemon? Joguei (e jogava com a Killbite, eterna rainha). Aventuras-solo? Joguei. ABC do RPG com o Shadowrunner Brasileiro? Li.

Sabem, eu não fui criado pelos meus pais e eles foram sempre muito ausentes na minha vida. Então, embora fosse um menino tranquilo, eu sempre fui muito recluso e, bem, numa cidade tão pequena quanto Paraíba do Sul, qualquer coisa que destoe do padrão já te torna algo mais alienígena que a própria Tormenta. E então, veio o bullying, as zoeiras mega ofensivas e o fechamento dentro de mim por causa disso.

Foi quando Tormenta apareceu na DB. Eu lia e reconhecia diversas coisas ali (como o Over-Paladino – e eu AMAVA a historinha contada a cada mês nos Pergaminhos dos Leitores) e outras me eram muito novas. Todas aquelas histórias infinitas, o mundo enorme e eu me mantinha ali, entretido por horas e horas a fio (o encarte de Tormenta que veio na DB não saiu da minha mochila por quase 1 ano). É lógico que as pessoas jamais entenderam o que era aquilo e eu pouco me importava em explicar: porque enquanto os ataques e o bullying ficavam mais e mais ferrenho, mais eu lia Tormenta, mais eu lia Dragão Brasil, mais eu lia tudo que o Trio Tormenta publicava. Holy Avenger, Over Palada, Mestre Arsenal, Raven Blackmoon, Taskan Skylander e Mask Master, Dragão-de-Aço, Grupo do Mal, Lorde Enxame… Todos eles foram amigos que me levavam para fora daquela existência miserável que foram os anos da infância e adolescência e me ajudavam a me manter são num ambiente extremamente abusivo =/

Então Tormenta tomou uma proporção enorme para mim: Começou a ser meu escudo contra tudo que me causava problemas. Brigas em casa? “Opa, hora de ler pela bilionésima vez sobre os Boatos e Rumores de Triumphus”. Problemas na escola? “Opa, bora ler sobre a Divina Serpente (sdds) novamente”. Houve uma época que meu apelido foi, momentaneamente, “Moleque do Tormenta” na escola, de tanto que eu lia e falava.

FUN FACT: Nas aulas de arte que eu tinha na escola, a gente fazia releituras de obras famosas. A única releitura minha que a professora gostou foi quando eu fiz a releitura de “O Grito” imaginando a Tormenta.

Foi Tormenta que ativou minha paixão por literatura fantástica, por criação de mundos, por RPG e um monte de outras coisas. Tormenta foi meu escudo quando precisei me proteger e foi uma espada quando precisei atacar também. Tormenta foi uma semente que rendeu frutos maravilhosos na minha vida: Amigos (Tá aí o João Lucas Rocha que não me deixa mentir), momentos… e é claro, as infindáveis sessões e jogos. As horas de discussão de lore nas madrugadas na lanchonete da minha Tia.

E foi, depois de um dos momentos mais loucos da minha vida que me fez afastar de todos os meus amigos e até mesmo família, justamente Tormenta que me reaproximou deles! Por causa deste cenário de RPG que nasceu de uma compilação muito doida de vários materiais outrora publicados na DB eu consegui reaver amigos que jurava ter perdido pra sempre 🙂

Por isso hoje eu fico EXTREMAMENTE feliz de ver Tormenta chegar onde chegou. Muito mais que isso: Fico feliz de, inadvertidamente, ter feito parte destes 20 anos. Fico feliz de Tormenta ser uma força que me protegeu, me fez crescer e me ajudou muito quando eu precisei. Poucas coisas nessa Terrinha chata que é o planeta Terra me dão tanto orgulho quanto Tormenta. E é por isso – justamente por isso – que eu fico tão feliz ao ver #Tormenta20 ter sucesso como tem tido. Queria poder ter participado agora do financiamento (talvez eu nem consiga, por questões extremamente pessoais e chatas), mas eu SEMPRE vou carregar Arton e todos os filhos e filhas do Trio (e do Quinteto também porque Gregor mora aqui ó ❤ ) no meu coração.

Obrigado por tudo mesmo, Tormenta. E que meus filhos possam também se aventurar em Arton. Amocês demais da conta :3

POR ARTON!

Leon Cleveland – via Facebook

Bom pessoal

eu jogo há vários anos FATE, Savage Worlds, Chamado de Cthulhu, DnD5 e outros. Nunca tinha dado atenção para Tormenta, mas nesse financiamento eu participei, comecei a ler o cenário, visitei o site da Jambô, descobri que haviam livros e revistas sobre o cenário, descobri o Império de Jade e tudo isso me impressionou. Comecei a ver a paixão de vocês pelo cenário, personagens e tudo de Tormenta e então percebi que vocês eram diferentes. Estou lendo já o primeiro livro e pretendo comprar todos os outros. Tormenta ganhou mais um jogador e quando tiver mesa online, me chamem, pois eu serei presente agora. Valew Jambô, valew pessoal!

Rodrigo Bandeira – via Facebook

Sou professor da rede estadual

de ensino do estado de São Paulo. Professor de matemática, assíduo e dedicado aos meus alunos. Sou um dos poucos que tenta evitar que eles matem aula nas vésperas de feriado.
Certa vez teria feriado na quinta com ponte na sexta, não faz muito tempo, já era o segundo bimestre. Decidi levar para meus alunos do 1º ano do EM meu grid, algumas miniaturas e os livros de tormenta. Na primeira sala tinha 7 alunos (nas vésperas eles faltam em massa) e os 7 gostaram do jogo e pediram para jogar. Saquei os dados, 5 fichas prontas que tinha ali e começamos “O Covil do terceiro”.

Eles se apaixonaram pelo jogo, pediam quase todos os dias para jogar, o que não podia conceder pois tinha matéria para passar. Então escrevi um projeto para a escola, escrevi sobre “Matemática interpretativa” onde usarei o RPG e o mundo de tormenta para estimular eles a estudarem matemática.
Terminamos o covil, eles quase morreram, se salvaram por causa de um ponto de ação extra dado a cada um. Mas fui assolado por uma hérnia de disco e não narrei as últimas semanas.
Hoje fui dar aula para eles e mostrei o financiamento coletivo, expliquei como funciona e o que será o #Tormenta20 e fiquei muito feliz ao ver a empolgação deles com o tamanho que está o FC e eles começaram a falar: “Vamos juntar a gente pra pegar o de R$50.”
Isso me lembrou quando eu mais novo juntava com meus amigos para comprar material de RPG. É mentira se não disser que foi para mim muito emocionante tocar a nova geração. Assim nasce um novo grupo.

Marco T. O. P.

Aos 15 anos eu perdi tudo

e me mudei pra Arton… Por isso eu digo que o trio Tormenta salvou minha vida. Eu tinha acabado de me apaixonar, estava com a Isabela tinha pouco mais de 6 meses, vieram as férias de final de ano, e eu resolvi viajar pro Rio de Janeiro ao invés de ficar com a minha namorada, que quase implorou pra eu não ir, pois, caso eu fosse ela teria que fazer uma viagem que ela odiava, bom, eu fui, ela ficou, e no caminho dessa viagem dela, um movimento errado, um acidente, e eu perdi essa pessoa que eu amava, me culpei, me senti perdido, não conseguia pedir ajuda, e, assim comecei a mergulhar em Holy Avenger, em Arton, a fantasiar histórias, jogar RPG, criar vidas onde eu não carregava o peso da culpa, e aos poucos, fui recobrando a sanidade, me recobrando, voltando a ser eu mesmo, por isso eu digo, quando perdi tudo, eu me achei em Arton, ou Arton me achou e me salvou, por isso apoio, por isso faço parte de tudo que posso, pois esse mundo faz parte de mim, esse mundo me ajudou e me acolheu mais que qualquer outro, por isso eu luto por Arton.

Edu Sama via Facebook

Era 1998.

Eu tinha 10 anos e descobri o RPG através de um amigo que tinha o manual de Lobisomem: O Apocalipse. Li aquele manual com uma voracidade digna de um Wendigo, e os cabelos da nuca se arrepiavam a cada descoberta sobre esse jogo estranho, onde criamos personagens e interpretamos papeis com regras em mente. Naquela época, crianças da minha idade ainda tinham alguma liberdade de circular nas ruas de Salvador sem muito medo de violência, e eu era cliente fiel da banca de revista do meu bairro. Um dia, na minha peregrinação semanal pelas revistinhas da Turma da Mônica que eu podia pagar com a minha mesada, eu vi uma revista com o termo RPG na capa. Não preciso lembrar qual era a revista, porque eu a tenho até hoje: era a Dragão Brasil número 33, com Marvel vs. Street Fighter na capa. Uma edição que na época já era “antiga”, sendo vendida a um preço menor naquela banca. Parei por alguns segundos para decidir se manteria a ideia inicial de voltar para casa com um novo número da revista do Cebolinha, ou se levaria aquela revista que nunca tinha lido antes. Levei a Dragão Brasil.

Eu estava fisgado. Li a revista de cabo a rabo sem entender muitos dos termos que estavam escritos, mas tendo a compreensão de que eram regras especificas de jogo. Li os Pergaminhos dos Leitores, fiquei intrigado com o personagem do Paladino e achei um barato as cartas de Magic desenhadas pelos leitores da revista. Estava decidido: eu mergulharia nesse jogo de algum jeito que fosse além de ler um livro básico. Nasci com muita sorte, tenho um pai que lê gibis desde criança e até hoje, com 72 anos, realiza seu ritual de ir à banca de revista comprar seus quadrinhos favoritos. Com ele aprendi a gostar de Asterix, Pato Donald e Tio Patinhas, Lucky Luke, Hagar, Tintin, Mandrake… Não apenas gostar dos quadrinhos, mas ler e pesquisar sobre seus autores. Desenvolvi uma simpatia natural a René Goscinny, Albert Uderzo, Carl Barks, Keno Don Rosa, Bill Waterson, Quino e muitos outros. Isso me fazia ter ainda mais interesse em ler e conhecer mais trabalhos dos autores da minha nova revista favorita. Quem era esse tal de Marcelo Cassaro? E esse tal de J.M. Trevisan (que eu falava Trévisan)? E esse Rogério Saladino aí? Eu procurava qualquer edição anterior da DB que eu pudesse encontrar.

Entre essa e aquela edição, finalmente joguei RPG pela primeira vez. Foi uma campanha de AD&D mestrada pelo primo de um amigo, um rapaz mais velho que já entendia mais do sistema. Meu personagem era um mago leal e neutro, inspirado pelo meu já existente fascínio pela magia presente em tantos mundos de fantasia. Não havia como descrever aquele jogo sem que eu ficasse com um sorriso bobo no rosto. Era algo mágico, complementado por uma comunidade cuja maioria de seus membros eu jamais conheceria, mas que se unia através de uma revista.

Meu pai tinha o hábito extremamente paulista de visitar sebos e bancas tão frequentemente a ponto de conhecer seus donos. Ao final dos anos 90, já vivendo em Salvador há quase 20 anos, ele conhecia quase todos os sebos do bairro onde morávamos, e eu era companhia constante em suas peregrinações por edições antigas do Fantasma e do Tex. Numa dessas visitas, eu achei um tesouro maravilhoso, que guardo até hoje e não venderia por nada: a primeira edição de Defensores de Tóquio. Li esse manual incontáveis vezes. Demorei um pouco para convencer alguns amigos a experimentar aquele sistema. Foi incrível, foi engraçado, foi um pastelão como toda aventura de Defensores tem que ser.

Logo eu viveria para ver o nascimento do mundo de Arton e, principalmente, o lançamento de uma das minhas experiências favoritas em quadrinhos, Holy Avenger. Eu não tinha grana para comprar a Holy, mas o tal amigo do manual de Lobisomem comprava religiosamente, e eu lia as edições dele. Lá na edição 16 ou 17, eu finalmente comecei a comprar meus próprios volumes, e encomendei com a editora os atrasados. Holy Avenger foi parte importantíssima da minha vida até o final e é uma das poucas aventuras em quadrinhos que comprei duas vezes: os lançamentos originais, e as Edições Definitivas. Nessa época eu jogava quase que exclusivamente 3D&T e GURPS, e 3D&T era exclusivo com Tormenta. Não fazia sentido na minha cabeça jogar 3D&T e não jogar em Arton. Conhecemos e conversamos incontáveis vezes com nossos personagens favoritos de Holy Avenger. Um personagem meu, bardo, se apaixonou por Niele e chorava por não ter seu amor correspondido. Tork se juntou ao nosso grupo em duas ocasiões como NPC, Sandro apareceu algumas vezes e morria de ciúmes quando Lisandra aparentava dar bola para o elfo do grupo. Tudo isso aconteceu na nossa mesa, e em mesas impossíveis de serem todas contadas e lembradas ao redor do Brasil.

Entre os 17 e 19 anos eu já quase não jogava. Meus grupos haviam se dispersado, pois a vida acontece simultaneamente para todos. Meu único grupo restante só jogava GURPS e estávamos entrando no mundo criado pelo mestre. Eu não jogava mais Tormenta, mas eu ainda comprava tudo o que era lançado do cenário.

Sem jogar, acompanhei todos os acontecimentos importantes de Arton. Alguns grupos de conhecidos me consultavam sobre o cenário, pois eu era uma espécie de loremaster de Tormenta entre meus amigos. “Na dúvida, vai com o que Victor disser”. Explorei cada pedaço do Reinado em minha própria jornada, solitária, mas rica em experiências. Escrevi, como sempre gostei de escrever, histórias de todos os tipos e tamanhos, mantendo na cabeça as influências de criatividade e franqueza de narrativa que me fisgaram. Os autores de Tormenta sempre estiveram entre minhas referências de literatura de fantasia. Segui carreira escrevendo como profissão durante muitos anos, mas separei minha escrita em duas categorias: a profissional e a por lazer. A profissional seguiria os princípios da minha profissão de jornalista, mas em casa, na privacidade da minha imaginação, eu poderia ser livre. Eu poderia escrever o que eu quisesse, ideias que nunca mostrei para ninguém, algumas que foram discutidas com amigos, mas todas muito livres para ser o que elas quisessem ser, usando das minhas mãos como suportes para se desenvolver.

Tive a oportunidade, eventualmente, de conhecer o mestre Marcelo Cassaro em um bate-papo organizado numa loja de quadrinhos em Salvador. Fiz mais perguntas que qualquer outra pessoa que estava lá. Cheguei cedo, sentei-me na frente, levei minha Holy Avenger número 1 para ser autografada e ganhei de brinde um desenhinho do Paladino no autografo. Óbvio que jamais faria algo assim em público, mas meu desejo era de abraçar aquele homem e lhe contar o quanto ele foi importante na minha vida. 

Tormenta não é apenas um mundo de fantasia para mim. Nunca foi. É um lugar especial onde posso buscar abrigo e me refugiar. É onde posso me sentir livre e onde posso ir para criar. Não mais na mesa de jogo, como eu disse, mas na minha cabeça, onde posso correr livre e imaginar o que eu quiser. Aprender a ser adulto sem nunca deixar a imaginação de lado é uma benção, e Tormenta é algo que definitivamente me ajudou a manter essa capacidade. Aos autores de Tormenta eu serei grato para sempre. Há um pouco de Arton em tudo o que eu escrevo, independente do estilo e do gênero. Há um pouco de Arton em mim e, agora, haverá um pouco de mim em Arton, mesmo que seja só um nome nos créditos do livro.

Victor Lucky – via Facebook

Em 2008, dez anos de idade

eu era um garoto fechado, deprimido, com apenas dois amigos, um dos “nerds” da sala de aula, era o tipo de garoto que ninguém dava muita bola.

Então uns garotos novos se mudaram pra nossa vizinhança e nos apresentaram o RPG. Começamos a jogar algumas adaptações das antigas edições da Dragão Brasil pra desvendar os mistérios do 3D&T e me apaixonei pela atividade. 

Em pouco tempo surgiu o Tormenta na minha vida e trouxe a possibilidade de ser um paladino, salvando donzelas de dragões. Era um mundo no qual eu adoraria viver.

Naquele tempo eu não notava, mas eu fui me tornando mais ativo, mais divertido, fui pegando as coisas com mais facilidade, melhorando notas e principalmente, aprendi a interagir com as pessoas através do personagem que interpretava. Era como se eu tivesse uma identidade secreta, e agia melhor por saber que depois voltaria a ser o herói paladino.

Meu paladino morreu após um ano tempão jogando. Nunca esquecerei do Sirius, pois de alguma maneira aquele paladino salvou a mim mesmo. 

Depois dele veio Phyrus, um elementalista do fogo (já tínhamos o manual do aventureiro). Com ele eu enfrentei a Aliança Negra, vivi milhares de aventuras, coletei todos os tesouros possíveis e desenvolvi poderes épicos. Phyrus era a minha versão mais confiante de herói, ele era mau humorado e divertido ao mesmo tempo. Meu primeiro halfling. Eu perdi a conta de quantos desenhos dele eu fiz na época.

Quando esse personagem morreu eu chorei na mesa de jogo, na frente de todo mundo. 

Mas agora eu já não tinha mais vergonha, eu já não chorava mais porque era triste e solitário. Chorei por ter perdido um ente querido, um grande amigo.

O grupo que eu jogava se desmanchou quando nos mudamos e eu ganhei de presente os manuais de 3D&T do pessoal com quem eu jogava.

Já na casa nova, com a nova dose de confiança eu fiz um amigo pra quem apresentei o RPG e as histórias de Tormenta e da Holly Avenger e ele me apresentou novos amigos.

Logo logo eu decidi que queria mestrar e fomos direto pra Tormenta. A essa altura eu já tinha novos amigos, já era um cara normal e já tinha minha própria coleção de histórias pra contar.

E foram mais de dez anos de aventuras, muitas risadas, muita tensão, o grupo virou uma banda de rock, se desmanchou, voltou com o RPG e são meus melhores amigos até hoje. 

Nesse grupo mesmo mestrando eu era Pablo Gilberto, um elfo bardo heroico, confiante e divertido (na época do tormenta 3.5 e início do Tormenta RPG). Pablo refletia muito da minha personalidade na época. Pablo era muito mais feliz.

Hoje estou com a missão de ensinar as maravilhas de Tormenta a meus novos amigos, jogadores experientes que vieram com muita bagagem de outros cenários. Lá eu jogo com Pinguelo, um halgling bárbaro que pensa ser um gigante. E ele é gigante. Assim como Tormenta é pra mim.

Tormenta nesses 20 anos foi minha válvula de escape. Tormenta me ajudou a superar MUITAS dificuldades, superar a depressão, a solidão. Tormenta me ensinou que podemos ser heróis do nosso próprio destino, que histórias fantásticas podem realmente acontecer e principalmente, Tormenta me deu meus melhores amigos!!!

Sem demagogia alguma, se alguém me perguntasse hoje o que tormenta representa pra mim, eu diria que representa felicidade, pois sempre sorrio ao falar sobre o cenário.

Mauro Juliani Junior – via Facebook